Ônibus, futuro promissor, presente assustador


O ônibus que ilustra este post é o primeiro modelo coletivo híbrido fabricado no Brasil. Apresentado oficialmente pela Volvo esta semana, de olho no “gancho” da Rio+20, ele possui dois motores – um movido com diesel, outro elétrico – e incorpora boa parte da tecnologia mais recente do gênero, incluindo o aproveitamento da energia gerada pelas frenagens, usada recentemente na Fórmula-1.

A coisa funciona assim: da inércia até os 20 km/h, quem empurra o coletivo é o propulsor elétrico. A partir daí, entra em cena o motor térmico a diesel. Sempre que o ônibus para – em um ponto ou sinal, por exemplo – os motores se desligam automaticamente.

O resumo dessa ópera pós-modernista são bons 35% a menos de consumo de combustível e ótimos até 95% menos de emissão de CO2. Um percentual que ganha ainda mais força se lembrarmos que os motores a diesel dos ônibus são responsáveis por uma gorda faixa da carga diária de gás carbônico e poluentes que as grandes cidades geram.

Os novos modelos entram em circulação em Curitiba em setembro deste ano – e bem que poderiam ser adotados por aqui também.

Aproveitando que falamos de ônibus – e mudando de tom da empolgação para a tristeza –, acho que já passou da hora de se pensar seriamente no treinamento dos motoristas de coletivos que trabalham em nossa cidade. O recente acidente com jovens vítimas atropeladas num ponto da Avenida Brasil chamou, novamente, a atenção de todos para um problema crônico. Como usuário quase diário de ônibus, sou testemunha de que muitos motoristas não demonstram ter condições mínimas para desempenhar seu papel. Não falo em termos de habilidade ao volante, que essa não é o principal problema. Falo em consciência sobre o serviço que prestam, suas responsabilidades e obrigações – sendo a mais fundamental delas colocar o conforto e a segurança das pessoas que transporta em primeiro lugar; antes, por exemplo, do horário a cumprir.

Sei que as empresas de ônibus têm investido em uma melhor formação para esses profissionais e, também, que passamos por um período em que há acentuada escassez de mão de obra especializada no mercado. Nada disso, porém, é justificativa para que andar de ônibus seja uma aventura perigosa para os passageiros que, em suma, pagam – e não pagam pouco – para terem os já mencionados segurança e conforto.
Se há poucos profissionais querendo dirigir ônibus urbanos, a velha lei da oferta e da procura indica que os salários oferecidos para os que exercem essa função devem estar baixos. Se esse for o caso, que se estude urgentemente um outro modelo econômico que viabilize salários, formação e exigência de competência maiores – e impunidade e cargas horárias de trabalho menores. O que não dá é para ficar, mais uma vez, tudo como está.






Fonte: Globo/Rebimboca

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