André Pereira aguarda, desde 2009, rodas novas para seu caminhão, conforme prometeu a loja onde comprou o veículo Foto: Fábio Guimarães
Esse é apenas um dos casos curiosos recebidos diariamente por órgãos de defesa do consumidor. Alguns deles são tão diferentes que há dificuldades em levar a reclamação à frente.
Foi o que aconteceu com um senhor de 80 anos, frequentador da Vila Mimosa, que foi à Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) se queixar da duração do programa. Segundo ele, os 30 minutos que as meninas dedicam a cada cliente não são suficientes para ele, que, em virtude da idade, não consegue, digamos, se animar a tempo. A comissão arquivou o caso por falta de uma entidade que represente as garotas de programa.
— Há casos engraçados, como o de um homem que comprou uma boneca inflável e ela estourou por causa do piercing que ele tinha na língua — conta Dori Boucault, advogado especialista em Relação de Consumo e coordenador do Procon de Mogi das Cruzes (SP).
Ele lembra que, para evitar surpresas, o consumidor deve exigir nota fiscal, certificado de garantia, manual de instruções e lista da rede de assistência técnica.
Cadê o aplicador? Um consumidor comprou uma pomada para o tratamento de hemorroidas, mas o produto veio sem o aplicador. Ele pediu, junto à Comissão de Defesa do Consumidor da Alerj, para que o fabricante enviasse o instrumento com urgência, para que ele pudesse usar o medicamento. O consumidor também cobrou alguns esclarecimentos a respeito da falta do aplicador.
Cabelo do hulk - Apesar de ter seguido à risca todos os procedimentos recomendados por seu cabeleireiro, uma mulher ficou com o cabelo verde, após o uso de um produto. Na reclamação feita ao Procon de Mogi das Cruzes (SP), ela disse ter ficado envergonhada com a nova cor e alegou que se sentia uma extraterrestre. Depois disso, a consumidora ficou totalmente careca e deixou até de ir ao trabalho. Ela entrou em depressão e quase perdeu o emprego. Mas tudo se resolveu: o cabeleireiro ressarciu as despesas médicas da mulher e os cabelos dela voltaram a crescer normalmente e na cor original.
Sexo com legendas - Um casal encomendou três DVDs eróticos. Ao ver os filmes, reparou que o som original era em inglês e não havia legendas. Insatisfeitos, exigiram cópias traduzidas. E foram atendidos, já que a legislação brasileira obriga que esse tipo de produto seja legendado para ser vendido no país.
Vibrando em família - Avó, mãe e filha foram reclamar de um vibrador elétrico usado pelas três, que estava dando choques. A última até gostava, mas as descargas incomodavam as outras duas. O aparelho acabou sendo trocado.
Peruca ao contrário - Ao comprar uma peruca que veio sem as instruções de uso, um homem começou a sentir muita coceira no couro cabeludo. Conforme ele coçava, a peruca virava em sua cabeça. Segundo o advogado Dori Boucault, em alguns momentos, a peruca, que teria a função de melhorar o visual, acabava parecendo "um despacho" na cabeça do homem. Ele acabou devolvendo o produto.
TV no rádio - Um homem comprou um rádio no camelô e reclamou que não conseguia ver TV no aparelho, como o vendedor tinha prometido. O rádio tinha as teclas AM, FM e TV, mas sintonizava apenas o som das emissoras de televisão, não a imagem, o que seria tecnicamente impossível. Segundo Dori Boucault, deve-se estar atento, já que diversos vendedores usam de má-fé e se aproveitam do desconhecimento das pessoas para enganá-las.
De dentro para fora - Para acabar com os cabelos brancos, uma mulher comprou pílulas, mas acabou usando-as de maneira errada. Em vez de dissolver o produto em água e aplicá-lo no cabelo, ela o ingeriu e reclamou que o tratamento não fazia efeito.
Dori Boucault lembra da importância de ler as instruções antes de usar.










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