Serviços estrangeiros que oferecem recursos propícios a quem busca uma relação extraconjugal aportam no Brasil. E atraem até solteiros
Nos últimos três meses, aportaram no Brasil três redes sociais com uma proposta inusitada: facilitar a traição conjugal. Juntas, a canadense Ashley Madison, a americana Ohhtel e a holandesa Second Love contam com cerca de 12 milhões de usuários ao redor do mundo. No Brasil, já reuniram mais de 500.000 pessoas – 70% são homens –, interessadas em aventuras facilitadas pelos mecanismos próprios desses sites. Por exemplo: os serviços garantem que os movimentos de seus usuários jamais deixam rastros. "A internet potencializa fantasias de relações fugazes. A esse ambiente, esses novos serviços adicionam uma blindagem, que esconde interessados e os encoraja a buscar aventuras", afirma a psicóloga Margareth Volpi, fundadora do instituto Volpi & Pasini, explicando a rápida disseminação dos serviços no país.
O paulistano Paulo*, de 33 anos, casado há cinco, está cadastrado no Ohhtel há dois meses. Nesse período, fez contato virtual com 25 mulheres – segundo dados do Ashley Madison, em média, um homem se comunica com 20 mulheres por mês, enquanto elas interagem com 11 homens no mesmo período. A partir de uma das investidas virtuais, encontrou uma mulher que lhe chamou a atenção. "Logo descobrimos gostos parecidos", diz. Até agora, a afinidade propiciou três encontros às escondidas. "Busco uma história passageira. Não pretendo me separar, pois tenho um carinho enorme por minha mulher e nosso filho." Faz ecoar uma máxima do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, sempre provocador: "Entre o desquite e a traição, é preferível a traição, mil vezes a traição."
Sigilo é o pilar dos serviços de relacionamento extraconjugais. Nome, fotos e dados de contato são, por padrão, considerados ultrassecretos e só se tornam visíveis a outro cadastrado com consentimento do proprietário do perfil. É o inverso do mecanismo vigente no Facebook, por exemplo, onde (quase) todos os dados da conta são públicos, até que o usuário decida o contrário. O Ashley Madison oferece ainda um último recurso, a ser usado em situações emergenciais, ou seja, quando o usuário comprometido está prestes a ser apanhado pela mulher (ou pelo marido, no caso delas): o botão do pânico. O recurso apaga, de forma definitiva, os registros relativos a uma conta que possam comprovar a passagem de uma pessoa pela rede. Mais: faz uma varredura nas caixas de mensagens de pessoas que foram alvo do assédio eletrônico do usuário acossado, apagando textos, fotos e vídeos enviados por esse cadastrado. Em tese, é o fim da marca de batom no colarinho.
Fonte:veja









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