Festival I love jazz comprova: BH já se tornou polo nacional do gênero musical americano

Encantada com a recepção do público belo-horizontino na Praça do Papa, a cantora americana Stacey Kent, a nova diva do jazz, avisa: "vou voltar"


“Vou voltar. Em qualquer hora e qualquer lugar. Vocês são incríveis”, garantiu a cantora Stacey Kent ao descer do palco do festival I love jazz. Pela primeira vez em Belo Horizonte, a americana deixou a cidade emocionada com a calorosa recepção que recebeu. Ela foi uma das 11 atrações a que o público da capital pôde assistir no fim de semana. “O festival tem melhorado a cada ano. O pessoal trouxe nomes de peso do jazz e do blues”, elogiou a professora Beth Freitas.

O jazz com sotaque bossa-novista de Stacey Kent foi responsável pelo flerte contemporâneo do evento, cujo forte sempre foram os sons tradicionais. Passaram pela edição 2011 o boogie woogie de Axel Zwingenberger & Lila Ammons e vários standards dos repertórios de Judy Carmichael, Maria Noel Taranto, Paulistânea Jazz Band, John Allred Sextet, Gabriela Pepino, Howard Alden, Bucky Pizzarelli, Jack Wilkins e Jon Faddis Quartet. “São músicas que a gente conhece, mas não sabia que era jazz”, comentou a estudante de moda Lidiane Cruz. “Não escuto jazz todos os dias, estou achando maravilhoso. É um evento bacana, com pessoas bonitas e de classe”, aprovou o bancário Fabiano Santos.

O clima do festival foi marcado pela descontração – no palco e fora dele. Estudante de português, Stacey Kent interagiu o tempo inteiro com a plateia. “Ela é ótima, misturou jazz com samba, falou português para conquistar o público. Pena que foi pouco”, lamentou o estudante Matheus Miranda. A americana Lila Ammons e a uruguaia Maria Noel Taranto improvisaram em português, inglês e espanhol para se comunicar. “Ela é muito carismática. Consegue envolver e animar”, observou a psicóloga Helena Bastos depois de ver Taranto no palco.


“Quem toca jazz é sempre bem-humorado, pois só faz isso quem realmente gosta. Não é o estilo mais rentável para o músico”, explica Marcelo Costa, curador e organizador do festival. Trompetista da Happy Feet, ele fez participações nos shows de Maria Noel Taranto e da banda Paulistânea. “É impressionante a maneira como as pessoas têm se portado. São interessadas, educadas, sabem ouvir boa música. Não é à toa que nossos festivais se destacam”, observou.

Belo Horizonte já ganhou fama de cidade jazzística. A cada edição do evento, segundo Marcelo, essa imagem se fortalece. “Músicos do Rio e de São Paulo falam que Minas Gerais é o estado que mais tem jazz no Brasil. Os estrangeiros ficam impressionados com o público”, comenta o curador. “Quero ficar aqui, com os brasileiros cantando, fazendo a música comigo. É uma coisa tão poderosa que nem tenho palavras para descrever”, confirma Stacey Kent.

O público concorda. “ O I love jazz já entrou para o calendário da cidade. É um evento para a família inteira, a qualidade da música é sempre muito boa”, disse Val Cordeiro, executiva de contas. “É legal estarmos na Praça do Papa, mas só quem tem dinheiro chega aqui. O I festival deveria passar para o outro lado do túnel”, sugeriu o professor Daniel de Deus.

Se depender da vontade de Marcelo Costa, esse será mesmo o caminho do evento. A expansão começou este ano, com o palco montado na Praça da Liberdade. “Nossa ideia é levar para a Pampulha, em 2012. Queríamos ter feito este ano, mas não deu. Vamos devagar, mas vamos fazer”, garantiu ele. Depois de BH, o festival seguirá para o Rio de Janeiro, Recife e Brasília.



Na Praça da Liberdade
Ao passear por Belo Horizonte na tarde de sábado, o pianista alemão Axel Zwingenberger foi abordado por pessoas que assistiram a seu show na sexta à noite, na Praça do Papa. Como muitos contaram que voltariam à apresentação dele na manhã de ontem, ao lado da cantora norte-americana Lila Ammons, na Praça da Liberdade, Zwingenberger resolveu tocar repertório completamente diferente. “O ambiente aqui é outro, mais intimista”, admitiu o músico, entre um autógrafo e outro.

Referência atual no boogie woogie, Axel abriu sozinho o show. O público acompanhava os temas, sempre alegres, com os pés. E começou a dançar com a entrada de Lila – neta de Albert Ammons, pianista de Chicago morto no final dos anos 1940, inspiração para gerações que se aventuraram pelos improvisos do boogie woogie.

Com forte sintonia, pianista e cantora são parceiros há quatro anos. “Toco com muitos músicos, entre eles Charlie Watts, dos Rolling Stones. Para todos nós, Albert Ammons é uma referência. Então, esse show com Lila me soa familiar”, acrescentou o pianista, que traz como marca registrada os sapatos coloridos. Nessa primeira incursão brasileira, trouxe pares amarelos. “Há aqueles que se identificam pelo chapéu. Preferi escolher os sapatos, tenho em casa outros pares, verdes, vermelhos.”

Novidade desta edição, os shows na Praça da Liberdade, sábado e ontem, foram aprovados pelo público. “Aqui, o acesso é mais fácil e você consegue ver melhor, disse a professora e atriz Carolina Duarte, de 33 anos. Mesmo assim, ela não perdeu as apresentações da Praça do Papa.

O formato na Praça da Liberdade – dois shows por manhã, um com formação vocal e outro com instrumental – levou público bem diverso para o evento. No cenário, além de fãs do jazz, muitas famílias. Palmas, brincadeiras dos músicos, dança... O clima solar se encaixou à perfeição com o repertório do jazz tradicional.

Fã-clube
Figura recorrente no I love jazz, a pianista e cantora norte-americana Judy Carmichael (foto) já tem um grupo de seguidores em BH. Durante o festival, não raro era vista nos bastidores batendo papo com fãs e assinando autógrafos. Durante o show, disse que considera Belo Horizonte sua segunda casa. Ainda dentro da programação do festival, Judy ministra masterclass com alunos de música amanhã, às 11h, no Memorial Minas Gerais Vale, na Praça da Liberdade.










Fonte:uai.com.br

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